Mercado farmacêutico cresce 10,1% no 1º semestre de 2026: o que os números dizem sobre como comprar

As vendas das farmácias brasileiras somaram R$ 130,2 bilhões no primeiro semestre de 2026, alta de 10,1% sobre o mesmo período de 2025, segundo dados da IQVIA divulgados pela Abafarma, a associação do atacado farmacêutico. O detalhe que importa para quem compra: o volume cresceu bem menos, 3,2%. O faturamento está subindo mais por preço e mix do que por mais caixas vendidas — e isso muda onde a farmácia ganha ou perde dinheiro na compra.

Os números do semestre (jan–jun/2026): R$ 130,2 bilhões em vendas nas farmácias (+10,1%) e 4,3 bilhões de unidades (+3,2%). Em 12 meses até junho, R$ 258,3 bilhões (+10,7%) e 8,6 bilhões de unidades (+3,7%). Fonte: IQVIA, dados divulgados pela Abafarma.

Valor cresce mais que volume: o efeito do mix

A distância entre 10,1% em valor e 3,2% em unidades indica um tíquete médio por unidade maior. Dois fatores ajudam a explicar:

Na prática, a curva A fica mais "pesada": menos itens concentram mais valor. Cada erro de compra nesses itens custa mais, e o capital de giro fica mais concentrado.

Distribuidora ou indústria direta? Os dois canais pesam

Nos 12 meses até junho, cerca de 55% das unidades chegaram às farmácias por distribuidores e 45% foram vendidas direto da indústria. O peso de cada canal muda conforme a categoria. As 14 associadas da Abafarma responderam por:

A leitura para o comprador: não existe um canal "certo". Em marcas, a distribuidora tende a dominar; em genéricos, a compra direta da indústria tem peso grande. A economia está em comparar os dois canais no mesmo pedido, item a item — e não em escolher um lado por hábito.

Quem só cota distribuidoras deixa de ver parte das condições da indústria; quem só compra direto perde a agilidade e o mix da distribuição. O melhor pedido costuma misturar os dois.

Norte e Nordeste puxam a distribuição

A distribuição faturou R$ 68,8 bilhões no semestre (+6,6%); as associadas da Abafarma, R$ 42,7 bilhões (+10%), atendendo 85.352 pontos de dispensação. Em 12 meses, o crescimento das vendas da distribuição por região foi:

O que fazer com esses números

  1. Revise a curva ABC com mais frequência — o mix mudou, e itens que eram curva B podem ter subido;
  2. Cote indústria e distribuidora lado a lado — principalmente em genéricos, onde a compra direta pesa mais;
  3. Proteja o capital de giro — com tíquete maior, prazo de pagamento vale mais. Compare o custo total, não só o preço;
  4. Meça mês a mês — custo médio da curva A e economia de cotação mostram se você está acompanhando o mercado. Veja os 7 indicadores de compras que valem acompanhar.

Perguntas frequentes

Quanto as farmácias faturaram no 1º semestre de 2026?

R$ 130,2 bilhões, alta de 10,1% sobre o 1º semestre de 2025, segundo dados da IQVIA divulgados pela Abafarma. Foram 4,3 bilhões de unidades (+3,2%).

Por que o faturamento cresce mais que o volume?

Porque o mix está mais caro: produtos de alto valor, como as canetas GLP-1, ganharam peso, e houve o reajuste anual de preços autorizado pela CMED em abril (média de 2,47%).

Quanto das vendas às farmácias passa por distribuidores?

Cerca de 55% das unidades nos 12 meses até junho de 2026. Os outros 45% foram vendidos direto da indústria para a farmácia.

Fontes

Indústria e distribuidora na mesma tela

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