Farmácia no supermercado e remédio em marketplace: o que a Lei 15.357/2026 muda para a farmácia independente
A Lei 15.357, publicada no Diário Oficial em 23 de março de 2026, autorizou farmácias e drogarias a funcionarem dentro de supermercados — em espaço próprio e com farmacêutico durante todo o expediente. Não é remédio na gôndola, mas é um concorrente novo, com fluxo de clientes e poder de compra. Para a farmácia independente, a resposta passa por duas frentes: custo de aquisição competitivo e um serviço que o supermercado não consegue replicar.
A lei em 30 segundos: supermercados podem ter farmácia, mas em ambiente separado e exclusivo, com farmacêutico durante todo o expediente e sem remédio em gôndola ou ilha promocional. Farmácias licenciadas podem usar canais digitais e plataformas de entrega, desde que cumpram as normas sanitárias.
O que a lei permite — e o que não permite
- Espaço próprio: a farmácia funciona em ambiente separado, exclusivo e delimitado, com estrutura e independência funcional;
- Nada de gôndola: medicamentos não podem ficar em gôndolas, bancadas, ilhas promocionais ou outras áreas abertas do supermercado;
- Quem opera: o próprio supermercado, sob a mesma identidade fiscal, ou uma farmácia licenciada contratada;
- Farmacêutico: presente durante todo o horário de funcionamento;
- Controlados: entregues só após o pagamento — ou levados ao caixa em embalagem lacrada e inviolável;
- Digital: é permitido usar canais digitais e plataformas de entrega, cumpridas as normas sanitárias;
- Mesmas regras: a farmácia do supermercado segue as mesmas leis das demais (Leis 5.991/1973, 13.021/2014 e 6.360/1976).
E os marketplaces?
A lei também abriu a porta do digital. Em agosto de 2026, a Anvisa revogou a proibição de venda de medicamentos pela Shopee — com a condição de que apenas farmácias e drogarias regularmente licenciadas vendam remédios pela plataforma. A decisão citou a entrada em vigor da Lei 15.357 como gatilho.
A Abrafarma, que representa as grandes redes, defende mais regulação e corresponsabilidade das plataformas. "Medicamento é uma cadeia fechada", disse o presidente-executivo da entidade, Sergio Mena Barreto, em agosto. O movimento, porém, já é grande: as vendas fora da loja das redes associadas saíram de cerca de R$ 1 bilhão antes da pandemia para R$ 27 bilhões.
O que isso significa para a farmácia independente
- Pressão de preço nos itens de alto giro — genéricos, MIPs e higiene são os itens que o supermercado usa para atrair fluxo;
- Comparação mais fácil — no marketplace, o cliente vê o seu preço e o do concorrente na mesma tela;
- Mas o custo fixo é o mesmo para todos — farmacêutico, ambiente separado e as mesmas exigências sanitárias valem para o supermercado também;
- A vantagem da independente continua real — proximidade, atendimento farmacêutico, relacionamento, entrega rápida no bairro e serviços.
O supermercado compete em preço de vitrine. A farmácia independente vence quando o preço de vitrine dela também é bom — e o resto do atendimento é melhor.
Como se preparar: 5 ações práticas
- Conheça seu custo item a item nos itens de giro — cote sempre, em várias distribuidoras e indústrias. Sem custo baixo, não há preço competitivo sustentável. Veja 6 estratégias para reduzir o custo de compra;
- Defina seus itens-termômetro — os produtos que o cliente compara. Neles, preço competitivo; a margem vem do restante do mix;
- Zero ruptura no giro — falta de produto é a porta de saída para o supermercado ou o app. Veja como evitar ruptura de estoque;
- Esteja onde o cliente pede — WhatsApp, delivery próprio ou plataformas. A lei permite, desde que as normas sanitárias sejam cumpridas;
- Invista no que o supermercado não replica — atendimento farmacêutico, serviços clínicos permitidos à farmácia, acompanhamento de quem usa medicamento contínuo e fidelização.
Para redes regionais e farmácias associadas, a lei reforça um velho argumento: comprar junto é o que dá volume de negociação para competir com quem compra em escala.
Perguntas frequentes
Supermercado pode vender remédio na gôndola?
Não. A Lei 15.357/2026 exige ambiente separado e exclusivo para a farmácia e proíbe medicamentos em gôndolas, bancadas, ilhas promocionais ou áreas abertas do supermercado.
A farmácia do supermercado precisa de farmacêutico?
Sim, durante todo o expediente — como qualquer outra farmácia ou drogaria.
Farmácia pode vender medicamentos em marketplace?
Farmácias licenciadas podem usar canais digitais e plataformas de entrega, desde que cumpram as normas sanitárias. Em agosto de 2026, a Anvisa liberou a venda pela Shopee apenas para farmácias e drogarias licenciadas.
Como a farmácia independente compete com o supermercado?
Com custo de compra baixo nos itens que o cliente compara, zero ruptura no giro e um atendimento que o supermercado não replica: proximidade, orientação farmacêutica, serviços e entrega rápida.
Conteúdo informativo, sem caráter de orientação jurídica ou regulatória.
Fontes
- Congresso em Foco — Entra em vigor lei que autoriza farmácias em supermercados (mar/2026)
- Metrópoles — Anvisa passa a permitir venda de medicamentos pela Shopee (ago/2026)
- Mercado&Consumo — GLP-1 será motor de crescimento do varejo farmacêutico por pelo menos 10 anos (entrevista com Sergio Mena Barreto) (ago/2026)
Preço de vitrine começa no preço de compra
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